Sínodo: seleção de bispos e gestão de questões doutrinárias, pastorais e éticas emergentes

 A Secretaria Geral do Sínodo publica nesta terça-feira, 5 de maio, a primeira parte – relativa aos critérios de seleção dos candidatos ao episcopado – do Relatório final do Grupo de Estudo nº 7 sobre Alguns aspectos da figura e do ministério do bispo (em particular: critérios de seleção dos candidatos ao episcopado, função judicial do bispo, natureza e realização das visitas ad limina apostolorum) numa perspectiva sinodal missionária; e o do Grupo de Estudo nº 9 sobre Critérios teológicos e metodologias sinodais para o discernimento compartilhado de questões doutrinais, pastorais e éticas emergentes.

“Esses dois relatórios tocam o coração da vida eclesial. O primeiro nos lembra que a escolha de um bispo é um momento de autêntico discernimento da comunidade cristã: não existe pastor sem rebanho, nem rebanho sem pastor. O segundo nos oferece instrumentos concretos para enfrentar as questões mais difíceis sem fugir da complexidade: ouvir as pessoas envolvidas, ler a realidade, reunir os conhecimentos. É o método sinodal aplicado às situações mais exigentes”, afirma o cardeal Mario Grech, secretário Geral do Sínodo.

O Relatório Final do Grupo de Estudo nº 9 propõe uma mudança de paradigma na maneira como a Igreja aborda as questões doutrinárias, pastorais e éticas mais difíceis. O ponto de partida é uma imagem bíblica: os capítulos 10-15 dos Atos dos Apóstolos, que mostram como é possível valorizar as diversidades culturais sem trair a novidade do Evangelho.

Uma primeira escolha significativa diz respeito à linguagem: o Grupo preferiu falar de questões «emergentes» em vez de «controversas», porque o objetivo não é resolver um problema, mas construir o bem comum por meio da conversão relacional, da aprendizagem compartilhada e da transparência.

O documento introduz o «princípio da pastoralidade»: não há anúncio do Evangelho sem levar em consideração o interlocutor, no qual o Espírito já está atuando. Para abordar concretamente as questões emergentes, o Grupo propõe três etapas metodológicas: escutar a nós mesmos, escutar a realidade, reunir os conhecimentos. A Conversa no Espírito continua sendo o instrumento privilegiado para desenvolver uma cultura eclesial da sinodalidade.

Na terceira parte do Relatório, o Grupo aplica concretamente esse método a duas questões hoje emergentes na vida das Igrejas locais, escolhidas justamente por sua diversidade: a experiência das pessoas homossexuais que vivem a fé cristã e a experiência da não-violência ativa — testemunhada por um movimento de jovens sérvios que contribuiu para a queda pacífica de Milošević, inspirando-se nos cristãos dos primórdios. Em ambos os casos, o Grupo não oferece pronunciamentos conclusivos, mas — a partir da escuta direta de testemunhos concretos — propõe caminhos de discernimento ético-teológico e perguntas abertas, para que cada comunidade possa assumir “o compromisso de reconhecer e promover o bem com o qual Deus age na história e na experiência das pessoas”.

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